15.12.2017

Formalmente, ainda estamos na primavera. Mas a brisa quase gelada que entra pela janela de meu quarto e forma uma corrente com o vento que entra pela sala, lembra-me que lá embaixo, no térreo, o chão estará quente. É assim que tem início o verão; nesse paradoxo de vento e calor.

Hoje, logo pela manhã, a temperatura pedia vestes estivais. Às 8:30h o sol começava a arder. Ao meio dia, cada fóton estará ecoando a voz de Pedro Bial: “usem filtro solar!”.

Amanhã é dia de praia e possivelmente do primeiro torrão de veraneio. Biscoito globo e mate com muito açúcar e coliformes compõem a dieta do verão. O suor faz parecer que estamos perdendo peso, mas é só desidratação.

À noite, os mosquitos se animam e vêm compartilhar breves momentos conosco. O ventilador não dá mais conta, a pele arde pelo dia de sol, é hora de ligarmos o ar-condicionado.

Domingo é dia de resfriado, mas pelo sol quente somos expulsos de casa e voltamos à praia. No fim do dia, é o momento de uma breve resenha ébria, porque não?! Voltamos para a casa, onde os mosquitos nos esperam muito animados. Ar-condicionado.

As segundas tendem a ser mais difíceis, ninguém mais trabalha tão bem. No início de cada mês, a conta de eletricidade nos faz pagar pelas noites de frescor. Então meditamos a capacidade de dormir no calor. Para os mosquitos, acendemos uma vela de citronela. Mas com medo de que caia e ponha fogo na casa, voltamos ao ar-condicionado, pelo menos até a próxima conta de luz.

Eu adoro o verão.

20.12.2017 A Day in the Life

Às seis horas, no quarto dos fundos de um apartamento de frente em um quarto andar, o despertador ecoa. Às seis e meia, levanto-me, muitas vezes por um solavanco encorajado pelo susto de ter perdido a hora. A hora que se perde não mais se encontra.

Às sete e meia, na sala de outro apartamento de frente, no quarto andar, movo-me. É a respiração que inicia os movimentos. Eu inspiro e minhas mãos vão para além de minhas têmporas. Espiro e minhas mãos acomodam-se ao lado de meus pés. Inspiro e olho para frente. Espiro e volto a olhar o chão. Inspiro e, em um salto, meus pés se afastam de minhas mãos. Espiro e lentamente vou ao encontro do chão, até quase beijá-lo. Inspiro e curvando a coluna estico o peito. Espiro e meu quadril levanta-se, até que as paralelas de meu corpo formem um ângulo de, mais ou menos, quarenta e cinco graus. Respiro sequencialmente por cinco vezes; inspiro, o ar quente entra por minhas narinas e arrasta-se por minha traqueia até preencher meu pulmão, reproduzindo um som harmônico e de textura opaca. Espiro e o som é reproduzido em sentido contrário.

Deste quarto andar volto ao quarto andar anterior e banho-me. Caminho até o metrô e da primeira vou à quarta estação, sentido norte. Ando por mais ou menos quatro minutos e logo chego ao elevador que me leva ao quinto andar. Lá permaneço por seis, sete ou oito horas. Por vezes, nove ou dez.

À chegada do crepúsculo, volto ao metrô, e da primeira vou à nona estação sentido sul. Caminho por, mais ou menos, oito minutos e do elevador vou ao quarto andar. São tantas as salas que não posso dizer se é de frente, fundos ou lado, mas entro em uma dessas salas, sento-me em uma poltrona, e falo por quarenta minutos. Caminho para o metrô e da primeira vou à sexta estação. Caminho por, mais ou menos, quatro minutos e, com o elevador, subo ao quarto andar (às vezes pelas escadas).

Os dias em que não falo, caminho por, mais ou menos, quarenta minutos, no térreo. Os dias em que a respiração não inicia os movimentos, a ansiedade aproveita para dizer algo, gerando imprecisões de todas as ordens, ou escrever, mas sem passar a ideia do que se sentiu ao fazê-lo.

21.12.2017 – Verão

Hoje, oficialmente, começa o verão, que tem início em 2017 e dura até 2018. Mas isso não é nada mais que uma formalidade da física, que mede a posição dos planetas em relação ao sol, em relação a outros planetas, em relação a satélites. Só não consegue ainda medir em relação a nós mesmos.

Mas verão já estava por aqui.

Hoje, oficialmente, começa o verão, que tem início em 2017 e dura até 2018. Mas isso não é nada mais que uma formalidade da física e do calendário gregoriano, que diz que hoje é o dia vinte e um de dezembro de dois mil e dezessete. Só não consegue ainda dizer o dia em que tem início nós mesmos.

Mas o verão já estava por aí.

Veja bem, estamos vivendo os anos 10, logo mais estaremos nos anos 20. Eu sempre quis uma noite nos anos 20, e o calendário nos permite esse caminhar recursivo, em que se pode voltar no tempo ao chegar no futuro.

Eu hoje saí de casa porque estava insuportável, pensar. Então fui ao sol, para exercer a faculdade de não pensar. Porque penso e, quando penso, é impossível não me revoltar.

04.01.2018 – A imensidão é coco

Estou só. Há tempos não me encontrava só. Acho que a última vez foi em 2011. Às vezes me sinto culpada por estar só. Mas na maior parte do tempo sinto-me muito livre. No volume que leio, um dos personagens me diz que “a vida verdadeira ocorre quando estamos sozinhos”. Sem mais explicações, o compreendo. Simplesmente. Aquiesço.

Esses dias em que se caminha só são necessários.

Coco e areia. E mar.

A imensidão é o imenso que cabe de mar a mar. De aqui, se sigo por uma linha reta, vou à África. De África, à Europa. De África, à Oceania. De África, à Ásia. Se caminho pelo mar, vou de aqui ao mundo.

A terra é cor de terra; laranja, cinza, marrom. A Terra é cor de mar, cor de meus olhos, cor de céu, cor daquela cor, o azul. A Terra é azul.

A imensidão continental é coco. Intervalada pelo espaço equivalente ao diâmetro das copas das palmeiras. Palmeiras são mulheres esguias de cabelos esvoaçantes e pesados brincos. A imensidão é feminina.

A imensidão é coco. Eu olho para a esquerda, coco. Para a direita, coco. Para frente, coco. Atrás de mim o rugido do mar define a fronteira das imensidões.

O mundo é azul. O mundo é imenso e de tão imenso não cabe mais na imensidão. O azul é imenso e de tão imenso não lhe coube o chão, foi ao céu, ocupar a imensidão do céu, que é maior ainda. E, de tão imenso, não pertencendo mais a imensidão alguma, o azul comprimiu-se dentro da circunferência de meus olhos. Para só então ver a imensidão de si.

A pedra já foi uma grande pedra. Uma imensidão de pedra. O tempo a reduziu em areia. Menor em tamanho, maior em quantidade. Ocupa o mesmo espaço, só que mais perto do chão, mais perto da terra, mais longe do céu. Desceu do alto, só, ao fundo, multiplicada. A areia é a pedra mais sábia, porque serve de caminho. A areia é a pedra mais longe do tempo, mais próxima da eternidade. Ainda pedra, mas também areia: a areia é a duração: o tempo mais longe do tempo.

05.01.2018 – Uma dose de cortisol

Fala-se que o tempo passa e com ele passa também a importância das coisas. Como que um processo de apequenamento do passado.

Mas matuto que essa referência que se faz ao tempo é, em verdade, uma referência à sucessão de acontecimentos que cabem no tempo. É a proximidade desses acontecimentos com a memória que relativiza o distante, e não o tempo. Bebemos das águas da superfície, não das profundezas.

Venho a pensar que possivelmente essas ocorrências não apagam ou diminuem a importância dos fatos passados, reorganiza-os. Tal qual o tempo, que reorganiza as rochas em areia. Melhor: tal qual a natureza em sua duração.

Os tempos reivindicam novas funções. As coisas que cabem no tempo, e cabem porque duram, reivindicam novas funções.

Sinto o tempo escorrendo por entre meus dedos. Uma inquietude, pelas frases que nunca anotei e não as recordo mais. E um nó na garganta. Uma atividade qualquer em minha garganta que acelera os batimentos cardíacos e a escrita, e faz brotar água de minhas mãos, que escorre por entre meus dedos junto do tempo. Ao fim, é apenas uma dose de cortisol produzida por meu corpo, que interfere em minha apreensão do mundo.

Nada é real.

09.01.2018 – O fim dos dias

Falo de dias que são dedicados à procura de próximos dias. Os dias acabam. E os dias renascem. Esse é o alento.

Um esmolo sentado sobre o chão, envolto em um pedaço de pano que já não mais se pode identificar a cor, berra para aqueles que por ele passa, como se passassem por dias inglórios: Porque nós somos homem e mulher. Homem e mulher, ele diz.

Talvez ele quisesse nos dizer que somos gente. Gente que passa por dias e enfermidades sem querer olhar.

Mas em algum momento reparamos naquele algo de feiura. A gente se esforça para extrair alguma poesia do lixo.

Mas o lixo é só lixo.

Mas os dias renascem.

18.01.2018 – Eu sou você

O dentro de fora é mais afora. O fora de dentro é dentro, que é dentro, e que é dentro.

Não há métrica para medir o tamanho da incoerência de organizar o mundo em binômios. Em dentros e foras, se a pele não é fronteira de nada. Se a pele não está nem dentro, nem fora, e dentro e fora. Como as ideias, essas ideias que nos faltam, mas que não nos faltam, porque estão em mim, e em você. Só não alcançamos onde. Em nós, que pode ser qualquer lugar de tudo: a imensidão do mundo, que é a imensidão das imensidões. No verde, no coco, no mar, na lua.

Lá na lua, que é lá e aqui. Aquela lua que visitei aquela noite, naquela praia. Eu, na imensidão de areia que já foi pedra. Eu e a lua, na imensidão. E o mar, e os cocos, e a areia – pedra mais sábia, porque serve de caminho. Eu, as imensidões, e a lua, também imensidão, e a luz, mais imensa ainda, porque nunca acaba, porque viaja no tempo, porque servem de medida os anos que são só seus.

Eu, as imensidões, e as imensidões na imensidão em mim, porque minha pele não é fronteira. Você, as imensidões, e as imensidões na imensidão em você, porque tampouco sua pele é fronteira.  As ideias estão por aí, fora, dentro, em mim, em você, apenas. Esta imensidão que fingimos conhecer. As ideias que já não nos aparecem como ideias, porque teimamos em conhecê-las.

Eu sou você.

01.02.2018 – Mar de pernas

Por entre automóveis, gentes, ruas e morros caminho, em logradouros públicos, desviando da fumaça. O movimento existe, mesmo se estou inerte. A permanência exige tanta força que a paralisação não é inércia. Pessoas partem e chegam, o trânsito é a constância que circula. Sinto-me naquele poema, cheio de pernas e, igualmente, com o coração abarrotado de questões, mas sem pergunta alguma nos olhos.

É um olhar desguarnecido que enxerga através; qualquer espectro do que é. Quase nada é visto, além do movimento à beira de mim. Assisto opacas alegorias. Os rastros são a fumaça de que desvio.

As tardes são azuis, os desejos quase nenhum. Mas as pernas são muitas, uma após a outra, em um ritmo que nunca encontra sossego. São pernas inquietas que, no constante movimento, apagam os rastros de si. Como o mar, que sucessivamente apaga as marcas deixadas na areia.

Pelos dias eu caminho, por entre automóveis e gentes, mas sobre a calçada que cobre o chão, não me é permitido deixar marcas.

06.02.2018 – Nomenclaturas  

Há uma palavra presa em minha garganta. Porque bem em verdade, o que me apeteceria dizer não é uma palavra, mas uma coisa dessas, que sinto entre o topo do estômago e o âmago, e que não sei como me referir. Me falta o nome porque é outra coisa, uma coisa, essa coisa que sinto dentro de mim, mas que se impulsiona para fora em uma força que repele, em contradição à força que atrai. Está dentro e fora, e eu não teria como explicar, posso apenas sentir.

De algum modo isso se esvai. Corri, chorei, amei, transpirei metade de meu corpo, e, no entanto, o único escoadouro é o tempo. Que requer a espera. Que parece anular algo ainda mais forte, que sou eu.

Gotículas de água caem do céu ao chão, organizando-se em poças sobre a superfície. O concreto não permite que a terra umedeça. É a antítese da brandura. As nuvens chuvosas inibem a luz. É a antítese da candura.

As palavras que escuto não são as que procuro. Ainda me falta o nome a essa coisa. É a antítese do silêncio, mesmo essa ausência me silenciando. São muitas as parolas ditas em vã consciência, de onde não brota qualquer indicativo de alcunha àquilo que não se sabe o que é. É a antítese da parcimônia. E a antítese dessa coisa estranha também me falta.

São tantos os nomes que não conheço, que temo as palavras me falharem com a suficiência. Sinto-me tranquilamente perdida. E também não tenho certeza de como se chama isso. Acho que embriaguez.

19.02.2018 – Eu, Caleidoscópio

Um torso me seguia. Como se por desígnio da verticalidade, uma dança nunca antes ensaiada devesse ganhar forma por estruturas entrançadas. Os átomos comprimidos produzem calor e luz. O calor decide os movimentos, a luz as cores. Abaixo, uma grande base marca o ritmo; um leito de tempo. A cada compasso um movimento corresponde ao outro, e uma nova cor ascende. São cores que não se vê, não se explica, apenas se sente. Movimentos verdes são tranquilos, os azuis preguiçosos. Movimentos vermelhos são persuasivos, os marrons repulsivos. O movimento violeta é além.

Os fluxos são inquietações de calor. Os pigmentos inquietações de ideias; o significado da luz. O tempo, o limite do movimento. O tempo, a origem do movimento. O tempo, o fim do movimento.

Estive por esta noite de tempos, cores e quentura de átomos comprimidos. O movimento e a luz me reorganizavam, o tempo me maçava. Fui um caleidoscópio.

Ainda é verão, mas são tantas as tonalidades que talvez tenha retornado à primavera.

21 – 22.02.2018 – Essa Coisa

No início deste ano, antes mesmo que começasse, alguém me soprava às ideias que não deveríamos ser espectadores de nossas histórias. Que é preciso que sejamos protagonistas de nós mesmas. Era um discurso telegráfico, quase um jogo de adivinhação. Naquela sala, que não é de jantar, mas que também pode ser – e por onde, agora, você passa cotidianamente, sem mesmo ter notícia de todas as palavras que já foram ditas por ali, já esgotadas em seus sentidos graves e levianos, ou ainda proféticos.

A verdade é que me faltava a compreensão do que me era dito naquele momento. A mim, e a todos os outros que comigo dividiam aquele espaço de hipocrisia fraternal e suave ignorância. A alma mais próxima de alguma salvação era a da locutora, mas também nem tanto, talvez apenas por um breve momento. A única certeza era a de que estávamos todos ali à espera de um pequeno momento puro de amor, como diria aquele poeta pós-moderno de voz suave.

Eu não compreendia o discurso, não compreendia os símbolos, muito menos a mim. Os outros não eram mais que imagens. Não me recordo de onde minha mente estava, mas ao menos registrou as econômicas palavras entoadas. O resto foi silêncio. Aquele fim de tarde não merecia mais que os tímidos ruídos e olhares constrangidos que nos permitíamos.

Por sorte, essa vida é ostensiva sucessão de ocorrências, uma grande passagem de tempos onde buscamos nos localizar por acidentes. De tão passageira, até se faz sentir aleatória. Mas aleatória somos eu e você, quando não protagonizamos nossas estórias. Percebe?! Minha triste memória desta vez susteve-me para que não me entregasse ao desmerecimento das palavras que me foram ditas.

E entre nascimentos e renascimentos eu me entregava à essa lembrança. Ignorando que tudo se arranjava para acabar na quarta-feira.

 

São tempos de catarse, minha querida. Me faltam as palavras para explicar, mas estamos a nos aventurar por novas temporalidades.

Alguém me disse, “o que eu gosto nessa coisa de viver…”. Eu quero poder dizer o que eu gosto nessa coisa de ir vivendo…

26.02.2018 – Nascer

Eu escrevia neste sábado sobre o que se quer, e o que se pode. Sobre as possibilidades e os conflitos de interesse. Sobre o “sem sentido apelo do Não”. Sobre a tentativa de controle sobre aquilo que não se pode controlar, que são as vontades, os desejos, os sonhos e medos de outro. Dos outros. Do mundo. Mas não há como disputar com o mundo, que é maior e mais forte – é o que você me ensina.

E ainda nos é complicado caber nesse mundo. Eu estava sentada em minha sala, via apenas sombras daqueles movimentos; estava dentro de mim e mais dentro de mim. Buscando algum lugar que coubesse no mundo. Buscando alguma moral que não fosse feita de medos, mas de mundos. Por alguns momentos, fui uma sombra em minha própria casa. As pessoas aconteciam entre si. Eu acontecia dentro de mim, entre as possibilidades que nunca me foram oferecidas.

Se eu nascesse peixe, seria molhado. Se eu nascesse pássaro, seria ventoso. Se eu nascesse árvore, seria broto de chão. Se eu nascesse borboleta, seria efêmero. Se eu nascesse rocha, seria eterno. Se eu nascesse gato, seria libertino. Se eu nascesse girafa, seria acima. Se eu nascesse formiga, seria coletivo. Se eu nascesse abelha, seria doce.

Se eu nascesse ser-humano, seria complicado.

Seria lindo. Seria livre. Seria interessante. Seria profundo. Seria incontrolável. Seria leve. Seria fusional. Seria simples. Seria cheio de amor.

Se eu nascesse ser-humano, seria ainda mais próximo de ser humano.

Se eu nascesse ser-humano, seria gente.

13.03.2018 – Brevidades

Era uma tarde sem pretextos, e permiti-me pensar. Tão somente pensar. E até mim vieram lindos aforismos, imagens abstratas cheias de compreensão, de que não me recordo mais. Gostava eu de lembrar desse momento para quase todo o sempre. Mas aquele tempo de entretempos chegou ao fim e o pensamento não mais me pertencia. Ficara preso na eternidade do passado.

O que a mim ficou foi a lembrança de ter pensado aquelas coisas, que não sei quais, daquela forma. O que se permitiu experimentar. O sentimento de pensar. O que tenho em mim é o resultado consciente de que algo sucedeu. Mas me recordo de que, por acaso, lembrei que o verão está chegando ao fim. E que, de novo, não sei ainda muito ao certo o que fiz deste verão.

Há um processo em curso, que tem me direcionado a observar as menores das sensações. Tão densas quanto curtas. Algum retorno à alguma forma de minimalismo identitário, que aproxima a alguma humanidade. Antes comigo mesma, e depois compartilhada.

O silêncio, a música, as palavras. A poesia que se faz com palavras, a prosa que se arranja com as palavras. Toda a linguagem que se expressa pelo corpo. Por um corpo. Por dois corpos. Por dois corpos que por disputarem o mesmo espaço, acabam por se corresponder em movimentos. Que alcançam uma conexão superficial, porque se dá na superfície; mas que é também profunda, porque a pele não é fronteira, é tecido fundamentalmente poroso. Falo de algum liame ritmado, mas ainda extremamente ermo. Que toda informação de fora se aciona no lado de dentro mais adentro, antes que se revolte e transborde. Em algum momento transbordamos.

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