∞ 21.02.2018 

No início do ano, logo no início, alguém me falava de não sermos espectadoras de nossas histórias. Que nós, mulheres, precisamos ser protagonistas de nós mesmas. Foi o discurso mais próximo daquela sororidade que ultrapassa o discurso, que já ouvi. Uma mulher que diz à outra, dizendo a si: veja bem, você tem que ter as rédeas de sua vida. Porque nada é seu, mas sua vida.

Acho que não tinha compreendido muito bem o significado do que me era dito naquele momento. Mas sabia que daquilo não deveria me esquecer, e mente registrou. Tenho uma mente preguiçosa e seletiva, lembro de quase nada, mas daquelas palavras me recordo. Me recordo também de onde ouvi, do momento em que ouvi, e da companhia que comigo também ouviu. Uma companhia desmerecedora dessas palavras.

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A vida é uma sucessão de acontecimentos. A vida parece muitas vezes aleatória, mas não é. Aleatórios somos nós, quando não somos protagonistas de nossas histórias.

Aquela mulher, em uma simples frase, concluiu a mim, aleatoriamente, os dois últimos anos de minha vida. E susteve-me a que não me entregasse ao desmerecimento das palavras – o que seria uma miséria existencial.

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A vida é uma sucessão de acontecimentos aleatórios, e nós aprendemos a nos localizar nos acidentes, construindo paisagens. Pelo menos é o que parece ser.

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Tenho dois pulsos livres.

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Alguém me falava “dessa coisa de viver”, e eu gosto demais dessa coisa de viver.

 

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