Hoje, pela manhã, calcei meu par de tênis roxo e fui ao aterro, para uma caminhada. Caminhei, caminhei um pouco mais, e depois de 300 metros não pude mais reconhecer onde estava. Havia gente por demais naquelas pistas normalmente tranquilas. Uma multidão vestindo roupas cor de neon, cujos pescoços serviam de cabide para medalhas. Mais ou menos isso.

Mais a frente, vários estandes de descanso e bebidas isotônicas, cujas músicas disputavam a audição de quem passava. Num deles o público era heterogêneo: alguns dos neons e alguns outros que ainda não haviam dormido e pareciam ter parado por ali para “curtir um som”.

Ultrapassei a faixa ruidosa e segui pé depois de pé. Fui até longe. Voltei. Bebi uma água de coco – também bebida isotônica. Sentei-me e apreciei por alguns minutos a gigantesca fissura impressa naquela rocha, luz de meus olhos. Levantei-me e continuei pelo caminho, pé depois de pé.

Pé seguido de pé, fui reaproximando-me da multidão. Mas o que deteve minha atenção não foi o bando, mas um único senhor, sem roupa neon e de abdômen farto que falava muito alto no celular, um pouco ansioso, talvez, e dizia assim ao seu interlocutor: – não tô entendendo nada. Tá cheio de gente aqui. Um monte mermo. Sei lá quê isso, uma coisa de criança. Tem um monte de criança! Um parque de criança enorme que montaram aqui. Não sei o que é.

Era isso mesmo. Mas era também uma maratona.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s