05.09.2019 – A apatia nos é senhora

Há um mês eu tentava justamente entender porque havia parado de escrever. Fui um pouco (ou muito) mais otimista; em um breve suspiro da caneta sobre o papel, entendia que era o amor que a cada dia me reconfigura que tinha me levado as ideias, e que assim permaneceria até que por acaso encontrasse um refúgio. Aguardava com paciência.

Mas é certo que sua versão é mais verossímil: o terror do cotidiano nos paralisou. Confundo paciência com apatia. Sinto como se minha mente tivesse sido colonizada e que a cada dia tenho uma ideia fixa: o Brasil. Enquanto que o amor flutua, em mim, fora de mim. Por entre vazios inalcançáveis. Talvez se focasse mais no amor, menos no Brasil, teria encontrado mais o que dizer.

Sinto-me a completude da idiotice, há algo de lindo ao meu lado, e eu focando no horror que se tornou aquilo que nos é tão caro: a graça fina do dia a dia. O encanto nos entremeios da vida comezinha.

Não me reconheço.

Que bom que me escreveu! Quase me emociono ao perceber como descuidei do cotidiano enquanto salvação, e o quão urgente é darmos continuidade à esta sensibilidade desviada.

Há um mês deveria ter lhe dado melhores ouvidos.

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