Naquele entremeio de palavras que só guardam o sentido entre o lusco-fusco e o alvorecer, discutíamos tipos únicos de realidades, que só existem ao toque e à visão. Mas enquanto falávamos livres de qualquer constrangimento conceitual, não me escapava essa realidade constante que não pode ser vista, tampouco tocada, mas que me permite falar em sonoridades. Eu pensava no ar que entrava e saía por buracos de meu rosto e passeava por meus pulmões, que tampouco o vê ou toca. Como é que é isso de um contato, uma troca de partículas, sem toque?! Em uma constância maquinal…

Em um fragmento, restos de fala imortalizados, Heráclito diz que as almas farejam no invisível. As almas que não vejo ou toco sentem o cheio do ar, eu penso. Mas é claro que essa interpretação só não me condena porque ainda não é amanhecer; e a penumbra deste hiato, que não vejo ou toco, me permite que pense o que não se pode pensar, e diga o que não se pode dizer, e faça as perguntas que não podem ser feitas.

Quais são as perguntas que não querem que sejam feitas?

Heráclito também diz que não fosse o sol, seria noite pelos outros astros. A luz é a maior das censuras; só a luz poderia produzir o Iluminismo. Mas penso que nessa festa dos superiores, os melhores são os que apareceram sem serem convidados.

Por que é que se fala para alguém que beba um copo d’água quando se está nervoso?

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